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quarta-feira, agosto 16, 2017

A Máfia do fósforo



Ultimamente todos temos acompanhado a dramática situação dos incêndios em Portugal, todos nos temos indignado, todos nos temos revoltado e todos nos temos questionado o que raio têm feito as comissões de inquérito criadas para averiguar situações semelhantes ocorridas em anos anteriores a fim de delinear estratégias e evitar que se volte a repetir tal cenário...

Também é verdade, que os Bombeiros têm literalmente estado de baixo de fogo, em todas as frentes, e que se a catadupa de palavras que tem vindo a ser vociferadas fosse água os incêndios estavam extintos à muito tempo.

Como em qualquer situação reclamamos com a primeira pessoa que nos aparece, a que dá a cara... e no caso infeliz dos incêndios quem dá a cara são os Bombeiros e são eles que por tabela levam com o rol de palavras de indignação, de revolta, de mágoa e de desalento.

Não esqueçamos contudo que os Bombeiros são pessoas, têm casa, têm família, têm pertences e que deixam tudo para trás para tentar salvar a vida e os pertences de outros, quantas vezes a quilómetros de distância...e quantas vezes enquanto combatem as chamas em povoações distantes a sua própria terra é consumida pelas chamas...fazem-no a troco de uma ninharia...sim que neste país um Bombeiro recebe por hora menos de metade do que uma senhora que trabalhe a dias, sem desprimor nenhum para a profissão que é digna e honrada e por vezes tida até como das mais mal pagas.

Mas deixemo-nos de tapar o sol com a peneira... todos sabemos que o fogo é uma máfia, um grupo terrorista organizado armado de fósforos e engenhos explosivos e movido pelo cheiro do dinheiro...ainda que isso signifique a morte de pessoas, a destruição da floresta e a literal redução a cinzas da vida das pessoas. O fogo é um negócio que movimenta milhões e que é alimentado por interesses que ninguém quer melindrar...por isso todos os anos se assobia para o lado, vem Pedro e Paulo com os seus discursos da treta, promessas e promessas e no ano a seguir lá vem mais do mesmo.

Deste negócio uma boa parte abrange dos meios aéreos para combate a incêndios. Este negócio disparou nos últimos anos. Até aos anos 90 a maioria dos meios aéreos envolvidos pertencia à Força Aérea (FAP), que nos anos 80 gastou cerca de 200.000 contos em equipamentos, nos anos 90 o Secretário de Estado da altura entendeu, sabe Deus, ou o Diabo porquê, que não competia à FAP intervir nos incêndios e que essa actividade deveria ser levada a cabo por entidades civis. O certo é que se arrumaram os C130 e que os kit MAFFS (Modular Airborne FireFighting System) foram deixados a apodrecer nos hangares de uma unidade aérea. O certo é que a Força Aérea tem uma estrutura organizada, que devidamente oleada podia poupar milhares e milhares de euros ao contribuinte... têm as pistas, têm os meios, têm as equipas de manutenção, mecânicos...ah mas os pilotos não estão preparados..ahah... pois deve ser por isso que alguns tiram férias nesta época para ir voar em empresas civis de combate a incêndios. Bom... a verdade é que a FAP não paga prémios nem comissões...

Obviamente seria necessário formação, equipamento, aeronaves para o efeito...mas ainda assim o investimento estimado (que no ano passado rondaria os 70 milhões de euros) seria muito inferior ao valor gasto anualmente com o combate a incêndios por parte de entidades civis (cerca de mil milhões de euros). Um ponto fundamental: a FAP não sendo entidade privada, sendo de todos os portugueses não tem interesse em que haja incêndios.

Mas este grupo terrorista conta com o "apoio"da justiça, que nestes casos parece ser cega, surda e muda, se não como se justifica que os incendiários tenham penas tão irrisórias (a pequena minoria que é condenada)? O que justifica que sejam apanhados, presentes a tribunal e sujeitos a termo de identidade e residência? Ah tem perturbações mentais e tal... pois... são malucos, são malucos mas fogem, não ficam lá...

Depois temos ainda a forma brilhante como funciona a descoordenação no terreno... sim... não é uma gralha, é literalmente descoordenação. Nem sequer vamos falar no bendito SIRESP, porque isso é pano para mangas...vamos limitar-nos a mencionar a forma como os Bombeiros no terreno estão atados de pés e mãos e só actuam sob ordens vindas de Lisboa! Realmente lá nos mapas deve ver-se bem as casas, as aldeias perdidas na serra, as pessoas em desespero...às vezes dá a sensação que o combate aos incêndios é uma versão infeliz daquele célebre jogo "RISK".

Resumindo e baralhando...um dia quando alguém tiver a coragem de pôr o dedo na ferida, quando o poder político tiver coragem de assumir o jogo de interesses que movimenta esta grande máquina dos incêndios, quando se discutir abertamente todos os pontos, quando as pessoas deixarem de ser ludibriadas por balelas vindas de engravatados bem falantes, quando se assumir que os incêndios são uma máfia terrorista organizada movimentada pelo cheiro de milhões de euros... nesse dia sim, talvez soprem ventos de mudança... mas enquanto esse dia não chega lembremos que os Bombeiros são meros peões neste jogo, que não fazem o suficiente porque não podem, porque não os deixam, porque não têm como... lembremos que honram o lema "Vida por Vida" muitas com sacrifício da sua própria vida...lembremos que são o elo mais fraco desta cadeia de interesses instituídos que só muita coragem, muita determinação e muita luta poderão quebrar.


quarta-feira, agosto 09, 2017

Chuva de verão

Talvez não tenhas sido mais do que chuva no verão,
Sabes, daquela chuva que refresca a terra seca e árida
E que por algum tempo lhe devolve o verde e a vida…
Talvez não tenhas disso mais que trovoada de primavera,
Sabes, daquela que chega de surpresa, sem aviso prévio
E que ao passar deixa a marca do seu estrondo seco…
Talvez não tenhas sido mais que uma folha seca no outono,
Sabes, daquelas que se soltam e rendem a uma nova estação
E revestem o chão de um manto vermelho e dourado…
Talvez não tenhas sido mais que uma noite fria de inverno,
Sabes, daquelas em que buscamos o aconchego de um gesto
E o carinho delicado de uma palavra dita com sinceridade…
Talvez não tenhas sido mais que uma tempestade de estações,
Sabes, daquelas que vêm e vão num simples piscar de olhos
E que desaparecem, dando apenas lugar a uma boa lembrança…
Talvez não tenhas sido mais do que um breve momento,
Sabes, daqueles que acontecem apenas de vez em quando
E que são maravilhosos enquanto duram… mas que acabam…
Talvez não tenhas sido mais do que uma breve e doce ilusão,
Sabes, daquelas que ficam para o resto da vida guardadas
Como o alento que um dia nos fez acreditar num novo amanhã…

quarta-feira, julho 26, 2017

Cada pessoa é um livro

Cada pessoa é um livro por descobrir, com páginas em branco ainda por preencher, com vários capítulos já encerrados, com diversos temas e assuntos.
Uns julgam o livro pela capa, outros dão-se ao trabalho de abrir e ler na diagonal à procura de alguma linha condutora e outros empregam o seu tempo na leitura do que está escrito, querem perceber, querem compreender e querem fazer parte, de alguma forma, das páginas que ainda não foram escritas.
Uns encantam-se pela capa e depois de abertas as páginas desiludem-se com o conteúdo... outros percebem rapidamente que a capa é só uma capa e que o que realmente tem conteúdo está escondido nas entrelinhas e que é necessário ter a paciência de ler para conseguir entender e chegar mais longe...outros não querem saber da capa, olham através dela e encantam-se com o pormenor da escrita...
Cada livro é um conjunto de vivências, de relatos, de ficção e de realidade... cada livro tem seu tema, sua magia, seu fascínio, seu interesse... não há um livro melhor que outro, há apenas livros diferentes...
E nós... que tipo de leitor somos? Somos dos que julgam pela capa, dos que lêem apenas as últimas páginas ou dos que se embrenham na leitura à procura de linhas condutoras que nos façam compreender o resultado final?

terça-feira, julho 11, 2017

Solidariedade com plafon

É comum haver por aí umas bancas, de diversas organizações e associações, que têm por objectivo angariar fundos para as mesmas...por norma dispõem de diversos artigos que "oferecem" uma lembrança a quem dá determinado valor, normalmente 5€ ou 10€, mas que aceitam qualquer quantia que se lhes dê... e fazem menção disso quando abordam as pessoas. Até aqui nada contra, até porque para muitas destas associações esta é uma forma de sobreviver.

O que não é comum é pararmos numa área de serviço e sermos abordados por um individuo, supostamente voluntário mas com ar muito contrariado, que solicita o donativo e pede para se escrever o nome, rubricar e mencionar a quantia de 5€... hã? Cinco euros? E se não quiser ou não puder dar cinco euros? Resposta arrogante e mal humorada: tem de ser cinco euros...ou 10€, não aceitamos menos.
Ai sim? Então olhe não é nada e pronto. Para a próxima ponha aí um aviso a dizer donativo mínimo 5€... assim as pessoas não perdem tempo com gente mal disposta e contrariada como o senhor!

Mas que raio de ideia é esta? Solicitar a ajuda dos outros mas impor-lhes o quanto devem dar? Sou só eu que não acho isto normal? 

domingo, junho 25, 2017

Só agora percebia

Excerto de um texto a integrar, quem sabe, uma nova aventura:)
Comentários, sugestões e opiniões são bem vindas :)

" (...) fora egoísta e esquecera-se dela... de cuidar dela...de lhe dar tempo, de lhe mostrar o quão importante ela era na verdade, de lhe mostrar o quanto precisava dela, o quanto a queria...na verdade, percebia-o agora, tomara-a por garantida e esse fora, sem qualquer margem de dúvida, o seu maior erro.

E naquele dia quando chegou a casa encontrou apenas o vazio...procurou em todos os cantos mas tudo o que encontrou foi a lembrança do batom dela, na mensagem deixada no espelho do quarto "Chegou o dia em que é tarde demais para voltar atrás... por isso nem tentes!"

E assim... de repente... como um murro no estômago, a realidade caiu-lhe em cima..."

domingo, junho 11, 2017

Somos quem somos



Infelizmente, ou felizmente, na realidade já nem sei, não podemos agradar a todos e nunca seremos o bastante para todos....

Para alguns falta-nos o "pedigree" necessário para entrarmos no seu círculo de amigos finos e chiques, como se caracter tivesse classe social;
Para outros falta-nos a vulgaridade e a ordinarice, que apesar de condenada às claras, às escuras satisfaz as necessidades mais escusas de cada um;
Para outros falta-nos a "finesse", essa capacidade de estar à altura da situação e de aparentar ser o que não somos;
Para outros falta-nos o saber, como se todo o conhecimento do mundo se adquirisse nos manuais de uma qualquer faculdade;
Para outros falta-nos isto...e para outros aquilo... como se tivessemos de ser todos iguais... como se tivessemos de obedecer a regras de ser e parecer...

Infelizmente, naqueles casos em que as pessoas nos julgam sem sequer saberem nada de nós, apenas porque acham que somos assim ou assado, felizmente nos casos daquelas pessoas que convivem connosco lado a lado, que percorrem os corredores da vida connosco e ainda assim não nos conhecem o suficiente para nos aceitar...

Seja como for... que se dane! Não podemos e nem queremos agradar a todos... basta-nos que aqueles que veêm com os olhos da alma saibam quem somos, que "as nossas pessoas" nos aceitem como somos e pelo que somos...basta-nos saber quem somos, gostar do que somos, lutar pelo que somos...só temos nos agradar a nós próprios... e sinto pena de quem não tem a capacidade de ver para além, de quem acha sempre que os outros são inferiores e que minimiza cada uma das suas acções, de quem acha que os outros são estupidos o bastante para não perceberem o que se passa, dos que acham que são mais e melhor que todos os outros, dos que preferem desprezar a arriscar, dos que preferem enganar, mal e porcamente muitas vezes, a ser sinceros, dos que discriminam, dos que humilham e dos que ignoram só porque isso lhes dá a falsa sensação de que estão em controlo das coisas e que são superiores a tudo e todos...

Somos como somos... e tenho pena de quem não consegue ver isso...porque esses verão sempre uma pedra feia e cheia de arestas, nunca verão o diamante precioso e brilhante!

terça-feira, maio 30, 2017

Silêncios...

Há um ditado antigo que diz: quem cala consente.
Mas também existem outras teorias quanto ao silêncio perante algo:
Há quem tenha a teoria de que às vezes o silêncio é uma forma de evitar conversa com gente chata;
Há quem ache que é uma forma de evitar conflitos;
Há quem ache que é uma maneira de mostrar desinteresse face a algo;
Há quem ache que é apenas sinal de fraqueza e medo de interagir e entrar numa discussão;
Há quem ache que é apenas rude e de mau tom;
Há quem ache que é uma forma de passar despercebido;
E há quem ache que é uma forma educada de desviar o assunto e dizer que não querem nem saber...
Quem tem razão? Sei lá! Só sei que há silêncios que dizem mais que mil palavras...sobretudo aquelas que por medo ou simplesmente por cortesia não se dizem.
Mas se querem saber, e por mais que ache que o silêncio por vezes é de ouro, acho que há perguntas que não devem ficar sem resposta... porque atrás de silêncio...silêncio vem...e depois é o vazio...o oco...o nada...

domingo, maio 28, 2017